Hérnia de disco: sintomas, quando é grave e quando procurar ajuda

15 de setembro de 2026

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Receber um laudo de ressonância com a expressão “hérnia de disco” costuma gerar preocupação. Para muita gente, a primeira impressão é de que existe algo grave na coluna ou de que a cirurgia será inevitável. Mas não é bem assim.



A hérnia de disco pode provocar dor importante e sintomas neurológicos em alguns pacientes, enquanto em outros pode causar poucos sintomas, ou até nenhum. O mais importante não é apenas saber que existe uma hérnia, mas entender se ela realmente está relacionada ao que o paciente sente. 

Coluna lombar em 3D

O que é uma hérnia de disco?

Entre as vértebras existem estruturas chamadas discos intervertebrais, que ajudam a absorver impacto e permitem o movimento da coluna.


Cada disco possui uma camada externa mais resistente e uma região interna mais gelatinosa. Quando parte desse conteúdo se desloca através da camada externa, pode ocorrer uma hérnia de disco.


Ela é mais frequente na região lombar, mas também pode acontecer na coluna cervical. O problema aparece principalmente quando o material deslocado irrita ou comprime alguma raiz nervosa.


Quais são os sintomas da hérnia de disco?

Os sintomas dependem da localização da hérnia e de quais estruturas estão sendo afetadas.


Na coluna lombar, podem surgir:

  • dor na parte baixa das costas;
  • dor que irradia para glúteo, coxa, perna ou pé;
  • sensação de queimação ou choque;
  • formigamento;
  • dormência;
  • perda de força em uma das pernas;
  • dificuldade para determinados movimentos.


Quando uma raiz nervosa participa do quadro, pode ocorrer a chamada radiculopatia, frequentemente conhecida pelo paciente como dor ciática. Nesse caso, a dor costuma seguir um trajeto pela perna e pode vir acompanhada de alterações de sensibilidade ou força.


Mas existe um ponto importante: nem toda hérnia de disco provoca sintomas. Uma alteração identificada na ressonância não significa automaticamente que ela seja a responsável pela dor.


Por isso, o exame de imagem precisa ser interpretado junto com a história clínica e o exame físico.


Hérnia de disco é sempre grave?

Na maioria dos casos, não.


A maior parte dos pacientes com radiculopatia por hérnia de disco melhora sem necessidade de cirurgia. A AANS informa que aproximadamente nove em cada dez pessoas com ciática ou radiculopatia relacionada à hérnia apresentam melhora ao longo do tempo.


O tratamento pode envolver ajuste temporário de atividades, exercícios, fisioterapia e medicamentos quando indicados. Repouso prolongado geralmente não é recomendado, e manter algum nível de movimento tolerável costuma fazer parte da recuperação.

Ou seja: encontrar uma hérnia no exame não significa automaticamente cirurgia.


Quando a hérnia de disco merece atenção mais rápida?

Alguns sintomas mudam completamente a urgência da avaliação.


É importante procurar atendimento médico rapidamente quando houver:

  • perda de força progressiva na perna;
  • dificuldade importante para caminhar ou ficar em pé;
  • perda de sensibilidade na região genital ou ao redor do ânus;
  • dificuldade para urinar ou perda do controle da urina;
  • perda do controle intestinal;
  • sintomas neurológicos importantes após trauma;
  • dor associada a febre ou histórico relevante de infecção ou câncer.


Alterações urinárias, intestinais e perda de sensibilidade na chamada região “em sela” podem indicar comprometimento das raízes nervosas da cauda equina, uma condição rara, porém potencialmente grave, que exige avaliação imediata.


A ressonância é suficiente para decidir o tratamento?

Não. Uma ressonância pode mostrar o tamanho, a localização e o tipo de hérnia, mas ela não consegue, sozinha, determinar quanto aquela alteração está contribuindo para a dor.


Duas pessoas podem apresentar exames parecidos e ter sintomas completamente diferentes.


A avaliação precisa correlacionar:

  • localização da dor;
  • trajeto da irradiação;
  • força muscular;
  • sensibilidade;
  • reflexos;
  • movimentos que pioram ou aliviam;
  • tempo de evolução;
  • impacto sobre sono, trabalho e mobilidade.


Essa correlação é o que permite diferenciar uma hérnia sintomática de um achado de imagem que pode não explicar todo o quadro.


Quando procurar um especialista?

Vale buscar avaliação quando a dor persiste, volta com frequência, começa a limitar atividades ou vem acompanhada de formigamento, dormência ou perda de força.


Também é importante reavaliar pacientes que já fizeram tratamentos, mas continuam com dor significativa ou apresentam sintomas diferentes daqueles do início do quadro.


Na Medicina da Dor, o objetivo não é tratar apenas a imagem da ressonância. É entender qual mecanismo está gerando os sintomas naquele paciente e, a partir disso, definir a estratégia mais adequada.


Nem toda hérnia de disco é grave. Mas quando os sintomas começam a interferir na função ou aparecem sinais neurológicos, investigar com cuidado faz toda a diferença.

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