Dor no ombro
Medicina da Dor e Anestesiologia
O que são?
A dor no ombro é uma queixa comum e pode interferir em atividades simples da rotina, como levantar o braço, vestir uma roupa, carregar objetos, dirigir, praticar atividade física ou dormir de lado.
O ombro é uma articulação com grande amplitude de movimento. Justamente por isso, depende do bom funcionamento de músculos, tendões, ligamentos, cápsula articular, bursas, nervos e estruturas ao redor. Quando alguma dessas estruturas apresenta sobrecarga, inflamação, lesão ou alteração funcional, a dor pode aparecer.
Estudos apontam que a dor no ombro é uma das queixas musculoesqueléticas mais frequentes na atenção primária, com prevalência estimada entre 16% e 26% na população. Também é considerada uma causa importante de limitação funcional, podendo afetar trabalho, sono e qualidade de vida.
O que pode causar dor no ombro?
A dor no ombro pode ter diferentes causas. Entre as mais comuns, estão:
• tendinopatias;
• bursite;
• lesões do manguito rotador;
• capsulite adesiva, conhecida como “ombro congelado”;
• artrose;
• instabilidade do ombro;
• lesões após quedas ou traumas;
• sobrecarga por esforço repetitivo;
• dor miofascial;
• dor irradiada da coluna cervical;
• alterações neurológicas ou neuropáticas.
Uma das causas mais frequentes de dor e limitação no ombro envolve o manguito rotador, conjunto de músculos e tendões importante para estabilidade e movimento da articulação. Lesões nessa região podem ocorrer por trauma, sobrecarga repetitiva ou alterações degenerativas associadas ao envelhecimento.
Sintomas e Diagnóstico
Dor no ombro é sempre tendinite ou bursite?
Não. Embora tendinite e bursite sejam diagnósticos muito conhecidos, nem toda dor no ombro se resume a isso. Em muitos casos, a dor pode envolver mais de uma estrutura ao mesmo tempo.
Além disso, alterações vistas em exames de imagem nem sempre explicam completamente a intensidade da dor. Por isso, a avaliação clínica é essencial para entender o padrão dos sintomas, a limitação de movimento, a presença de fraqueza, o histórico de trauma, o tipo de atividade realizada e o impacto da dor na rotina.
O exame ajuda, mas ele não deve substituir o raciocínio clínico.
Sintomas que merecem atenção
Alguns sinais indicam que a dor no ombro precisa ser avaliada com mais cuidado:
• dor que persiste por semanas;
• dor ao levantar o braço;
• dificuldade para vestir roupas ou pentear o cabelo;
• dor ao dormir sobre o ombro;
• perda de força;
• sensação de travamento ou rigidez;
• dor após queda ou trauma;
• dor que irradia para braço, pescoço ou escápula;
• formigamento ou alteração de sensibilidade;
• limitação progressiva dos movimentos.
Quando a dor começa a limitar atividades do dia a dia, atrapalhar o sono ou impedir movimentos simples, ela não deve ser normalizada.
Tratamento
Dor no ombro e dor cervical: qual a relação?
Nem toda dor sentida no ombro nasce no próprio ombro.
Em alguns casos, alterações na coluna cervical podem gerar dor irradiada para ombro, braço ou região da escápula. Por isso, é importante diferenciar se a dor tem origem articular, muscular, tendínea, neurológica ou se está relacionada a uma combinação de fatores.
Essa diferenciação muda completamente a condução do tratamento.
Como a Medicina da Dor pode ajudar?
A Medicina da Dor atua na avaliação de quadros persistentes, recorrentes ou complexos, especialmente quando a dor não melhora com medidas iniciais ou quando existe dúvida sobre sua origem.
No caso da dor no ombro, a avaliação pode considerar:
• localização da dor;
• movimentos que pioram ou aliviam;
• presença de rigidez ou fraqueza;
• histórico de trauma;
• exames já realizados;
• sintomas associados no pescoço, braço ou mão;
• impacto no sono, trabalho e atividades físicas.
O tratamento depende da causa e pode envolver orientação, medicamentos quando indicados, fisioterapia, fortalecimento, reabilitação, ajustes de atividade, bloqueios diagnósticos ou terapêuticos, infiltrações e outras técnicas minimamente invasivas em casos selecionados.
Diretrizes internacionais, como as da American Academy of Orthopaedic Surgeons, reforçam a importância de uma condução baseada em avaliação clínica, grau de lesão, sintomas e funcionalidade do paciente, especialmente nos quadros relacionados ao manguito rotador.
Como é o atendimento?
Quando procurar avaliação?
A avaliação especializada pode ser indicada quando a dor no ombro é persistente, recorrente, limita movimentos, causa perda de força, atrapalha o sono ou não melhora com tratamentos habituais.
Também é importante procurar avaliação após quedas, traumas, dor súbita com perda de função ou quando há sintomas associados, como formigamento, irradiação para o braço ou alteração de sensibilidade.
Cuidar da dor no ombro não é apenas aliviar o sintoma. É compreender a origem do problema, preservar movimento, recuperar função e evitar que uma limitação simples evolua para um quadro mais persistente.