Dor no Joelho
Medicina da Dor e Anestesiologia
O que são?
A dor no joelho é uma queixa muito comum e pode afetar atividades simples da rotina, como caminhar, subir e descer escadas, agachar, levantar da cadeira, praticar atividade física ou permanecer em pé por muito tempo.
Em alguns casos, a dor aparece após um esforço, queda, trauma ou aumento de carga. Em outros, surge de forma progressiva e passa a limitar movimentos do dia a dia.
O joelho é uma articulação que recebe grande parte da carga do corpo e depende do equilíbrio entre ossos, cartilagem, meniscos, ligamentos, tendões, músculos e estruturas ao redor. Por isso, a dor nessa região pode ter diferentes causas e precisa ser avaliada de forma individualizada.
A osteoartrite, conhecida popularmente como artrose, é uma das causas mais frequentes de dor no joelho em adultos e idosos. Segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 528 milhões de pessoas viviam com osteoartrite no mundo em 2019, sendo o joelho a articulação mais frequentemente afetada.
O que pode causar dor no joelho?
A dor no joelho pode estar relacionada a diferentes estruturas e mecanismos. Entre as possíveis causas, estão:
• artrose ou osteoartrite;
• lesões de menisco;
• alterações da cartilagem;
• tendinites;
• bursites;
• dor femoropatelar;
• lesões ligamentares;
• sobrecarga muscular;
• alterações no padrão de movimento;
• dor após quedas ou traumas;
• inflamações articulares;
• dor irradiada de outras regiões, como quadril ou coluna.
Um ponto importante é que a dor no joelho não deve ser tratada como se fosse sempre a mesma coisa. A causa pode variar conforme idade, histórico de lesões, nível de atividade física, peso corporal, doenças associadas e características da dor.
Dor no joelho é sempre artrose?
Não. Embora a artrose seja uma causa comum, especialmente em pessoas mais velhas, nem toda dor no joelho é causada por desgaste articular.
Além disso, a artrose não envolve apenas a cartilagem. Ela pode afetar a articulação como um todo, incluindo osso, membrana sinovial, ligamentos, músculos e tecidos ao redor.
Também é importante lembrar que exames de imagem não devem ser analisados isoladamente. Duas pessoas podem ter alterações parecidas em uma radiografia ou ressonância e apresentar sintomas completamente diferentes.
Por isso, a avaliação clínica é essencial para entender se a dor está relacionada à articulação, aos tendões, à musculatura, ao menisco, à cartilagem ou à forma como o corpo distribui carga durante o movimento.
Sintomas e Diagnóstico
Alguns sinais indicam que a dor no joelho precisa ser avaliada com mais cuidado:
• dor que persiste por semanas;
• dor ao subir ou descer escadas;
• dor ao agachar;
• dificuldade para levantar da cadeira;
• inchaço frequente;
• sensação de travamento;
• sensação de falseio, como se o joelho fosse ceder;
• limitação para caminhar;
• dor após queda ou trauma;
• perda progressiva de movimento ou força.
Quando a dor começa a limitar a rotina, reduzir a distância que a pessoa consegue caminhar ou interferir no sono e na atividade física, ela não deve ser normalizada.
Dor no joelho em idosos exige cuidado individualizado
Em pacientes idosos, a dor no joelho precisa ser avaliada com atenção ainda maior.
Nessa fase da vida, a dor pode estar associada a artrose, perda de força muscular, redução de mobilidade, sobrepeso, alterações de equilíbrio, risco de quedas e uso de múltiplas medicações.
Por isso, o tratamento não deve considerar apenas a articulação. É preciso avaliar o paciente como um todo: doenças associadas, medicamentos em uso, nível de funcionalidade, autonomia, segurança e objetivos de vida.
O uso de remédios para dor também exige cautela, especialmente em pessoas com doenças renais, cardiovasculares, gastrointestinais ou que já utilizam várias medicações.
Tratamento
Procedimentos podem ser indicados para dor no joelho?
Em alguns casos, sim.
Quando a dor persiste apesar de medidas iniciais ou quando há suspeita de uma estrutura específica envolvida, procedimentos podem ser considerados dentro de um plano individualizado.
Entre as possibilidades estão infiltrações articulares, bloqueios diagnósticos ou terapêuticos e procedimentos guiados por imagem, conforme a indicação clínica.
Esses recursos não substituem uma avaliação cuidadosa nem devem ser vistos como solução genérica para qualquer dor. Eles podem fazer parte de uma estratégia mais ampla, com foco em reduzir dor, melhorar função e permitir uma reabilitação mais adequada.
Como é o atendimento?
Como a Medicina da Dor pode ajudar?
A Medicina da Dor atua na avaliação de quadros dolorosos persistentes, recorrentes ou complexos, especialmente quando a dor não melhora com medidas iniciais ou quando há dúvida sobre sua origem.
No caso da dor no joelho, a avaliação pode considerar:
• localização exata da dor;
• movimentos que pioram ou aliviam;
• presença de inchaço, travamento ou falseio;
• histórico de trauma ou cirurgia;
• exames já realizados;
• força muscular e mobilidade;
• impacto na caminhada, escadas e rotina;
• doenças associadas e medicações em uso.
O tratamento depende da causa e pode envolver orientação, fortalecimento muscular, fisioterapia, reabilitação, controle de peso quando necessário, medicamentos, infiltrações, bloqueios ou outros procedimentos em casos selecionados.
Diretrizes da American Academy of Orthopaedic Surgeons para osteoartrite de joelho reforçam a importância do manejo não cirúrgico baseado em avaliação clínica e evidências, incluindo estratégias como exercício, educação e controle de fatores associados.
Quando procurar avaliação?
A avaliação especializada pode ser indicada quando a dor no joelho é persistente, recorrente, limita a caminhada, dificulta escadas, causa inchaço frequente, travamento, falseio ou não melhora com tratamentos habituais.
Também é importante procurar avaliação após quedas, traumas, piora progressiva ou quando a dor começa a comprometer autonomia e qualidade de vida.
Cuidar da dor no joelho não é apenas aliviar o sintoma. É compreender a origem do problema, preservar movimento, manter autonomia e evitar que uma limitação tratável se torne cada vez mais presente na rotina.