Dor crônica e Esclerose Múltipla: o que ninguém te conta sobre esse vínculo

3 de junho de 2026

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Por muito tempo, a dor crônica ficou às margens do diagnóstico de Esclerose Múltipla. A atenção ia toda para os sintomas motores: a fraqueza, a espasticidade, a dificuldade de andar. A dor, quando mencionada, era tratada quase como detalhe. Um sintoma secundário, coadjuvante, tolerável.

Hoje, a ciência conta uma história diferente.


A dor na EM é mais comum do que parece

Entre 50% e 65% dos pacientes com EM relatam dor em algum momento da doença. Quando se olha para síndromes dolorosas ao longo de toda a evolução da doença, esse número pode chegar a 86%. E a dor neuropática central, aquela que vem diretamente das lesões no Sistema Nervoso Central, afeta em torno de 27% dos pacientes, podendo ultrapassar 50% nos casos de doença progressiva.

Esses números importam. Porque dor não é só dor. Ela interfere no sono, amplifica a fadiga, alimenta a depressão, reduz a capacidade funcional e compromete de forma profunda a qualidade de vida. Tratar a EM sem tratar a dor é tratar pela metade.


Mas de onde vem essa dor?

Aqui está um ponto que muda tudo na abordagem clínica: a Esclerose Múltipla em si não causa dor diretamente. O que acontece é que as alterações que a doença provoca no Sistema Nervoso Central podem desencadear diferentes mecanismos de dor, e cada um deles pede uma resposta diferente.


Basicamente, existem três grandes grupos:

O primeiro é a dor diretamente ligada à desmielinização e à lesão central. É aqui que entram a neuralgia do trigêmeo, os espasmos tônicos dolorosos, a dor disestésica contínua e a dor neuropática central clássica, aquela sensação de queimação, choque elétrico, formigamento persistente que não tem causa aparente visível.


O segundo grupo é a dor que surge como consequência do que a EM faz com o corpo ao longo do tempo. A espasticidade altera o padrão de movimento, a imobilidade sobrecarrega articulações, a postura se adapta de formas que geram tensão crônica. Resultado: lombalgia, síndrome miofascial, dor de ombro, sobrecarga articular.


O terceiro grupo são as dores que coexistem com a EM, mas que existiriam independentemente dela, fibromialgia, artrose, degeneração discal, outras síndromes dolorosas crônicas. Não têm relação direta com a doença, mas precisam ser identificadas e tratadas com a mesma seriedade.


E o mesmo paciente pode apresentar os três tipos simultaneamente. É por isso que avaliar dor em quem tem EM exige um olhar amplo, cuidadoso e sem pressa.


O que pode ser feito

A boa notícia é que existe tratamento, e ele evoluiu muito. Medicamentos específicos para dor neuropática, procedimentos intervencionistas como bloqueios, toxina botulínica para espasticidade focal, radiofrequência, e em casos selecionados a neuromodulação medular. A escolha do caminho depende do mecanismo da dor, do perfil do paciente e de uma avaliação clínica detalhada.


A abordagem multidisciplinar, integrando neurologia, medicina da dor, fisiatria, fisioterapia e psicologia, tende a produzir os melhores resultados. Dor complexa raramente responde bem a uma única intervenção isolada.


Para quem convive com EM e com dor

Se você tem Esclerose Múltipla e convive com dor, saiba que isso não é inevitável. Não é parte do "pacote" que você tem que aceitar. É um sintoma tratável, que merece atenção especializada e uma abordagem estruturada.


Sou especialista em dor e atendo pacientes com esse perfil. Se você quiser uma avaliação, agende uma consulta agora mesmo! Às vezes, essa conversa é o ponto de virada.

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